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segunda-feira, 5 de março de 2012

Deixei de Ser Evangélico - Sou Demais Pra Esse Quintal!




Por Marcello Vieira
Diante da necessidade humana exacerbada de rotular o outro, de colocar tudo dentro de uma caixinha ou de uma fórmula, há de reconhecer-se que houve grande banalização do sacramento, do puro e do divino por conta da falta de ética religiosa e ferozes ataques do relativismo. O quê é santo? O quê é puro? Vivemos em uma Era que crer no absoluto é ser retro e preconceituoso (quem lê entenda). Sendo assim, assumir algum rótulo para si não é uma garantia que o sentido literal do rótulo usado será compreendido. Por exemplo, quando digo que sou evangélico, quase nunca sou visto como um subversivo do amor, um revolucionário desarmado lutando para intervir positivamente na história ao meu redor. Literalmente, evangélico é aquele que carrega os atributos do evangelho. Ora, que enorme elogio deveria ser reconhecido como evangélico! Porém, em tempos de Festival Promessas, Teologia Triunfalista, aberrações experimentalistas transvestidas de poder de Deus, o termo evangélico tornou-se pejorativo e ganhou outros significados no inconsciente coletivo popular.  Alguns deles são o de: Intolerante, homofóbico, irrelevante, egoísta, mau caráter, fanático religioso, entre tantos outros. É ou não é?

Quantas vezes você não se acanhou em dizer que era evangélico, não por vergonha do evangelho, mas com receio da leitura equivocada que fariam de você?

Infelizmente, devo admitir que a própria igreja, em muitos casos, foi a grande responsável por esses adjetivos pejorativos. Contudo, gostaria de trazer luz a uma verdade aos que não estão aprofundados no mundo teológico cristão. Uma verdade desconhecida por esses.

A Igreja (um grupo chamado para fora) que teve por fundador Jesus de Nazaré, foi criada com a proposta de subverter o status quo corrompido com o maior e melhor livro revolucionário da história - O Evangelho. Esse livro revoluciona o ser humano de dentro para fora trazendo respostas as inquietudes da alma.  E aprouve a Deus, confiar tão nobre tarefa a homens pecadores, causando certo “ciúme” até mesmo nos anjos, que adorariam exercer essa função revolucionária de evangelizar a Terra, como nos relata o apóstolo Pedro. 

Contudo, hoje, aquela que deveria ser a maior instituição revolucionária da história, causando uma intervenção direta na sociedade como um todo, com exemplos de retidão e amor ao próximo, transformou-se em empresa, em partido político corrupto egocêntrico, em prostíbulo do sagrado – A Igreja da Besta, como narra o livro de Apocalipse, sentada no trono presumindo-se Deus.  

Porém, como sempre foi na história, existem os remanescentes, aqueles que se mantiveram fiéis aos princípios da revolução do Amor proposta por Cristo. Esses guerrilheiros não levantam armas de fogo, sua força bélica é a paixão pela oração feita por Jesus naquela antiga montanha, na qual ele dizia: “Venha a nós o TEU REINO, seja feita a tua vontade assim na terra como nos céus”.

A munição desse exército marginal são as palavras do discurso mais subversivo de Jesus, aquele que quebrou e continua quebrando um velho paradigma:
“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;  Mateus 5:43-44

Hoje, tenho a impressão de existirem somente duas igrejas na terra. Aquela que se estabelece em todo lugar onde há o encontro desses remanescentes da revolução genuína do evangelho, aquela que subverte a miséria em esperança, aquela que subverte o ódio em amor, aquela que subverte o pecado em redenção, e a outra - aquela que arrasta multidões, que auto rotula-se igreja de Deus e que, por conta do seu marketing empresarial, usurpou o lugar no inconsciente coletivo da verdadeira igreja proposta por Cristo.

Creio que a nossa função, nosso chamado e maior desafio como remanescentes é, com todo o esforço nos enquadrar dentro de Mateus 5:43-44. Se assim não for, toda nossa boa obra, toda nossa denúncia e toda nossa apologética serão queimadas pelo fogo da transparência que sairá dos olhos Daquele que tudo vê desde sempre. Quando cada ser humano estiver diante do Reis dos reis, o olhar d’Ele penetrará as câmaras mais profundas das motivações humanas. Nesse dia, eu quero me prostrar em adoração e não em vergonha.

Por conta disso, pegando um gancho com o Ricardo Gondim, eu também me declaro rompido com o movimento evangélico. Rompo porque hoje esse nome e movimento não representam o verdadeiro Evangelho. Rompo sem medo, porque os valores são mais importantes do que um termo. Não me rotulo assim. Na verdade, rótulos não me cabem, minha liberdade conquistada na cruz através de Jesus me faz leve e livre demais para esse quintal.

Nem comuna, nem capitalista, nem plebeu e nem burguês. Nem calvinista, nem arminiano, nem reformado e nem pentecostal. Eu sou o quê o sou!

Mas se você ainda tiver essa grande necessidade de me enquadrar em um rótulo, pode me chamar de um pequeno discípulo de Cristo, apenas um rapaz latino americano subversivo do amor, ou simplesmente, um cristão protestante. Um protestante da paz, um militante contra a herança babilônica egoísta e hedonista que se rebela contra a implantação total do Reino de Deus na terra. Apenas um homem que acredita no poder do verdadeiro evangelho para transformar tudo em todos.

Soli Deo Gloria

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Evangelho: A Grande Lupa

Por Marcello Comuna
Em junho de 2006, no auge da euforia da Copa do Mundo, eu estava mais triste que um adolescente morador de Seattle na década de 90.  Vinte e seis natais tinham se passado e eu tinha a sensação de estar parado no mesmo lugar – e estava. Escravo do hedonismo, minha vida se resumia a trabalhar para poder sustentar minha droga, minha movimentada e insana vida sexual e minha vaidade, a saber, a manutenção do meu estereótipo de rapper - o quê não era barato.

Eu estava experimentando a veracidade do ditado: “Quem planta vento colhe tempestade”.  Eu estava colhendo tempestades sentimentais depois de ter semeado ventos em corações sinceros. Machismo idiota que nos programa para frustrar muita gente boa.
Até que, afogado em lágrimas, fui atraído pelas palavras de Jesus: “Vinde a mim todos que estão cansados e oprimidos e eu vos aliviarei”.

Cheguei diante de Deus reconhecendo que tudo estava errado na minha vida e que a culpa era das minhas péssimas escolhas.  Mas agora eu queria mudar, eu queria deixar de ser tão inconsequente.

Foi quando eu descobri que Deus dá um alívio imediato quando chegamos diante dele arrebentados. Faz-nos experimentar uma paz interior, nos tranquiliza e nos enche de fé através da Sua palavra e depois...

No despedaça!!

"Qualquer que cair sobre aquela pedra ficará em pedaços, e aquele sobre quem ela cair será feito em pó."  Mateus 21:44

E é nessa hora que o Evangelho se revela extremamente poderoso para remir um homem. Ele confronta e despedaça. Com precisão cirúrgica ele separa praticamente o inseparável: Corpo, alma e espírito.

Como uma lupa gigante ele revela o profundo da alma humana, destrói nossos castelos de areia alicerçados sobre achismos e vãs filosofias. Ele nos desnuda e se apresenta como um espelho refletindo as vísceras podres que há em nós, mas que não enxergamos (ou fingimos não enxergar).  Ele denuncia a nossa rebelião contra o Criador e nos alerta: Somos indesculpáveis!  Contudo, a boa nova se apresenta em forma de cruz, com um inocente sendo sacrificado em nosso lugar. Esse inocente é o próprio Deus em forma humana, pois somente ele poderia aplacar o seu próprio senso de justiça.

Outro dia vi no programa Esquenta - Regina Casé declarando a seguinte frase ao receber uma cidadã com evidentes distúrbios psíquicos autointitulada pastora: “Se quiser levar pessoas a Deus sem acusação, com alto astral, pode contar comigo”. Fiquei pensando...

Isso é impossível! Como alguém poderá ser absolvido antes de ser acusado? Como alguém poderá aceitar se medicar antes de ser comprovada sua doença? Como alguém poderá desejar ser salva antes de se convencer que está perdida?

Em 2006 eu achava que meu único problema era minha compulsividade por prazer, minha falta de limite hedonista. Eu me considerava um cara bonzinho porque não matava, não roubava e tinha dó dos mais humildes. E eu creio que a maioria das pessoas se considera boas pelos mesmos motivos. A mente humana está anestesiada para o pecado principal: A ingratidão Àquele que dá o folego da vida.

O Evangelho é como dedos espremendo um furúnculo e expelindo todo pus. Esse processo é doloroso, por vezes sentimos vontade de parar de espremer, mas ao fim, o carnegão sai e a ferida é curada.

É comum o ditado: “Quem não vem a Deus por amor vem pela dor”. Eu, porém, creio não haver outra via para o Pai que não seja a dor. Doeu primeiro em Cristo há mais de dois mil anos. Hoje dói em todo aquele que se submete a lupa do evangelho. É preciso quebrar o vaso para construir um novo. E irmão, isso dói! Na verdade, o Evangelho é o melhor e mais completo tratamento psicológico, terapêutico e psicanalítico de todos os tempos. Se o caro leitor está familiarizado com esse universo, sabe que todos eles incluem a dor da interiorização no processo de cura. É isso que a revelação de Deus faz, revela o seu lado podre incompatível com toda santidade do Senhor e te mostra à única saída; Aceitar ser justificado pelo sacrifício de Jesus.

A via que nos conduz ao Eterno passa obrigatoriamente pela cruz e ali está a unificação de dor e amor extremos. Ou seja, é impossível pregar o Evangelho Genuíno desmembrando um do outro.

Então, meu irmão, fuja de toda pregação em nome de Deus que massageie demasiadamente o seu ego. Fuja das mensagens de paz e amor que não despertam consciência e não te constrange. 

E se as Escrituras não tem valor para você, então ouça a sabedoria popular daquele velho ditado: “O amigo verdadeiro não é aquele que te aplaude o tempo todo, e sim aquele que aponta os seus erros e te repreende quando necessário”.

Deus abençoe.