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domingo, 24 de abril de 2011

A Verdadeira Vitória



Por Daniel Lago
Nunca se falou tanto sobre vitória. Neste artigo, analisaremos as Escrituras com o fim de descobrir se o conceito bíblico de vitória é o mesmo que tem sido divulgado.

Nosso versículo de referência é 1 Crônicas 29.11:

“Teu, SENHOR, é o poder, a grandeza, a honra, a vitória e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra; teu, SENHOR, é o reino, e tu te exaltaste por chefe sobre todos.” (Revista e Atualizada). 

Em hebraico, a palavra “vitória” é “netsach”, que pode significar “objetivo” ou “esplendor”. A princípio, não vemos nenhuma relação entre um objetivo e algo que brilha. Todavia, a palavra “alvo” possui ambas as ideias, pois vem do latim “album”, que significa “clareza”, “brancura”. Todo alvo, para ser atingido, deve ser claro e aparente. É muito difícil acertar um alvo no escuro. Todavia, em um local iluminado, o alvo é facilmente atingido. Temos, aqui, uma primeira reflexão: Se a vitória é o objetivo do cristão, é preciso ter, de forma clara, qual é o alvo. Para isso, precisa-se da luz para revelar onde está o alvo. 

Para alcançar a vitória, portanto, é necessário descobrir onde está o alvo, através da luz que o ilumina. A luz é a Palavra de Deus, como está escrito: “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos.” (Salmo 119.105). Qualquer promessa de vitória que não está calcada na Palavra de Deus trará uma falsa vitória. 

Não é possível encontrar o verdadeiro alvo e a verdadeira vitória sem a orientação da Palavra de Deus. Paulo nos ensinou sobre o alvo do cristão: “Prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” (Filipenses 3.14.) O termo grego para vocação é “klesis”, que significa “chamado”. Nosso chamado, que é o nosso alvo e a nossa vitória, é o seguinte: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.” (Marcos 16.15). Somente quem prega o verdadeiro evangelho terá a verdadeira vitória.

Hoje em dia, porém, tem sido pregado um evangelho muito diferente daquele que Jesus pregava. O evangelho é a mensagem da salvação, como está escrito: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.” (Romanos 1.16). Ou seja, nossa vitória é a salvação de nossa alma, é a vida eterna. E aquele que é salvo de verdade, trabalha para a salvação dos outros. Este obterá a verdadeira vitória.

Cristo disse o seguinte sobre a vida eterna: “a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia” (João 6.40). Quem vê o filho, descobre que ele é o alvo e crê nele, e vai em direção a ele, se lança sobre ele, como está escrito: “Todo o que cair sobre esta pedra ficará em pedaços; e aquele sobre quem ela cair ficará reduzido a pó.” (Mateus 21.44.) O néscio recusa a Cristo, e no final dos tempos Jesus cairá sobre ele como uma rocha e o esmagará. O homem prudente, porém, ao ver o alvo, que é Cristo, se lança sobre ele e é quebrado em pedaços, quebrantado, como o vaso na casa do oleiro (Jeremias 18.2), para ser feito novamente. Este é o novo nascimento, que embora doloroso, é fundamental para que alguém alcance a verdadeira vitória, que é a vida eterna. 

Na verdade, quando o texto fala que o homem que cair sobre a pedra, que é Jesus, ficará “em pedaços”, a expressão grega é “sunthlasthêsetai”, cujo equivalente hebraico é “shabar”, que pode significar também “nascer”. Ou seja, quem cair sobre Jesus e for quebrado passará pelo novo nascimento, condição fundamental para alcançar a vitória, isto é, entrar no Reino de Deus, como Jesus disse a Nicodemos: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus.” (João 3.5.) 

Hoje, buscam-se vitórias em conquistas materiais e em prestígio social. Cristo, porém, nos ensinou: “Não obstante, alegrai-vos, não porque os espíritos se vos submetem, e sim porque o vosso nome está arrolado nos céus.” (Lucas 10.20.)

Em hebraico, portanto, a vitória está ligada a manter-se no objetivo, seguindo o alvo. A palavra grega para alvo é “skopos”, que assim como o equivalente hebraico “mattarah”, pode significar “prisão” ou “olhar”, porque tanto o alvo como a prisão devem ser vigiados de modo constante e cuidadoso. Quem não vigia, perde o alvo, perde a vitória, e o inimigo que estava preso foge e inicia uma revolta. Assim aconteceu com Acabe, que deixou seu prisioneiro fugir e perdeu a vitória que poderia ter alcançado (1 Reis 20.42). Muitos cristãos, infelizmente, estão se enganando, crendo que a vitória guardada para eles reside em benefícios materiais, riqueza e poder. Peço a Deus, em Nome de Jesus, que eles possam escutar o verdadeiro evangelho a tempo, o Evangelho do Reino, e não da prosperidade. 

O curioso é que a palavra hebraica para vitória, “natsach”, também pode significar “mestre do canto” (Habacuque 3.19), pois “netsach” significa “eminente” ou “aquele que brilha”. O mestre de canto era uma pessoa eminente na sociedade, e sua função era trazer a eternidade para a vida dos homens, pois, em hebraico, “natsach” também pode significar “aquele que torna as coisas permanentes”. Ou seja, a função do mestre de canto é exaltar a Palavra de Deus, abrindo, assim, um caminho para a eternidade. 

A palavra “natsach” é formada por uma raiz de três letras: nun, tsadi e chet. No alfabeto proto-semítico (que originou o alfabeto hebraico), a letra nun tem o desenho de uma semente, e significa “frutificação”. A letra tsadi tem o desenho de um homem deitado de lado, e significa “lateral”, “espreita”. A letra chet tem o desenho de um muro, e representa “o lado de fora”. A união das três letras tem o significado de “aquilo que brota para fora”, ou “aquilo que se expande para fora e continua”. Esta é a característica do mestre de canto, e de todo cristão vitorioso: dele sai uma fonte de água que jorra para vida eterna (João 4.14), pois dele brota a Palavra de Deus para a salvação de muitos. Isso fará com que ele permaneça para sempre. 

Somente o cristão que prega o verdadeiro Evangelho, aquele mesmo que Jesus pregava, conhecerá a verdadeira vitória, que é o alvo da soberana vocação que há em Cristo Jesus!
 
Daniel Lago  é jornalista formado pela UFRJ, doutor em Linguística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professor de Filosofia da Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo estudado hebraico na Sinagoga ARI, em Botafogo – RJ, além de lecionar na Faculdade de Teologia Wittenberg.

daniel4310lago@yahoo.com.br / imersaoeintimidade@yahoo.com.br

sábado, 23 de abril de 2011

Dois Paradoxos da Morte de Cristo

Não é de surpreender que o maior acontecimento da história mundial seja complexo.
1) Por exemplo, sendo que Jesus Cristo é homem e Deus em uma única pessoa, sua morte foi a morte de Deus? Para responder a essa questão, precisamos falar das duas naturezas de Cristo, uma divina e uma humana. Desde 451 AD, a definição calcedônica das duas naturezas de Cristo em uma pessoa tem sido aceita como o ensino ortodoxo das Escrituras. O Concílio de Calcedônia afirmou,
Nós (…) ensinamos que se deve confessar (…) um só e o mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, a ser reconhecido em duas naturezas, inconfundíveis, imutáveis, indivisíveis, inseparáveis, sendo que a distinção das naturezas não é de modo algum anulada pela união, antes a propriedade de cada uma é preservada, concorrendo para formar uma só pessoa e em uma subsistência; não separado nem dividido em duas pessoas, mas um só e o mesmo Filho, o Unigênito, Deus, o Verbo, o Senhor Jesus Cristo.
A natureza divina é imortal (Romanos 1.23; 1 Timóteo 1.17). Ela não pode morrer. Isso é parte do que significa ser Deus. Portanto, quando Cristo morreu, foi sua natureza humana que sofreu a morte. O mistério da união entre a natureza humana e a divina na experiência da morte não nos é revelado. O que sabemos é que Cristo morreu, e que no mesmo dia ele foi ao paraíso (“Hoje estarás comigo no paraíso,” Lucas 23.43). Sendo assim, parece ter havido consciência na morte, de modo que a união contínua entre a natureza humana e a divina não precisasse ser interrompida, ainda que Cristo tenha morrido somente em sua natureza humana.
2) Outro exemplo da complexidade do evento da morte de Cristo é a forma como o Pai a experimentou. O ensino evangélico mais comum é que a morte de Cristo foi que ele experimentou a maldição do Pai. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro)” (Gálatas 3.13). A maldição de quem? Poder-se-ia suavizar a questão, dizendo, “a maldição da lei.” Mas a lei não é uma pessoa para que possa amaldiçoar. Uma maldição só é uma maldição de fato se houver alguém que amaldiçoe. A pessoa que amaldiçoa por meio da lei é Deus, que escreveu a lei. Portanto, a morte de Cristo pelo nosso pecado e por nossa transgressão da lei foi a experiência da maldição do Pai.
É por essa razão que Jesus disse, “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46). Na morte de Cristo, Deus lançou sobre ele os pecados do seu povo (Isaías 53.6), os quais odiava. E em ódio por esse pecado, Deus deu as costas a seu Filho carregado de pecados, e o entregou para sofrer todo o poder da morte e da maldição. A ira do Pai foi derramada sobre Cristo em nosso lugar, de forma que sua ira para conosco foi “propiciada” (Romanos 3.25) e removida.
Mas aqui está o paradoxo. Deus aprovou profunda e alegremente o que o Filho estava fazendo naquela hora de sacrifício. De fato, ele havia planejado tudo aquilo, junto ao Filho. E seu amor pelo Deus-Homem, Jesus Cristo, sobre a terra se deve à mesma obediência que levou Cristo à cruz. A cruz foi o ato de coroação de Jesus, por sua obediência e amor. E o Pai aprovou e se alegrou profundamente nessa obediência. Por isso, Paulo faz esta maravilhosa declaração: “Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave” (Efésios 5.2). A morte de Jesus foi um perfume para Deus.
Assim, temos aqui mais uma gloriosa complexidade. A morte de Cristo foi a maldição de Deus e a ira de Deus; contudo, e ao mesmo tempo, foi agradável a Deus e um doce perfume. Embora tenha dado as costas ao Filho e o tenha entregado para morrer carregado com o nosso pecado, ele se deleitou na obediência, no amor e na perfeição do Filho. Portanto, temamos maravilhados, e olhemos com uma trêmula alegria para a morte de Jesus Cristo, o Filho de Deus. Não há acontecimento maior na história. Não há nada maior para as nossas mentes considerarem, ou para nossos corações admirarem. Mantenha-se próximo à morte de Cristo. Tudo o que há de importante e de bom está reunido nela. Ela é um lugar sábio, importante e feliz para se estar.


 Por John Piper © Desiring God. Website: desiringGod.org
Tradução por: Jonas Braga. Disponibilizado por: gospeltranslations.org

terça-feira, 5 de abril de 2011

Deus Não Prometeu Salvar Sua Casa.

Por Marcello Comuna
Deus prometeu salvar sua família. Será? 

Um dos clichês mais usados por muitos pregadores é: Confesse o Senhor Jesus e será salvo você e sua casa.

O jargão é proliferado como uma promessa do Eterno para todo aquele que confessar Jesus como seu Senhor e Salvador. Ano passado, Mike Murdock foi mais além, passou a negociar a suposta promessa pela bagatela de mil reais no programa do “racha cara” Silas Malafaia. 

Acesse aqui para ver essa sujeira. (Por volta dos 07min e 45seg, Murdock garante que sua família será salva através da semente de R$ 1.000,00) 

Pois bem, sei que o assunto vai polemizar, mas fazer o que né? São os ossos do ofício. 

Para muitos essa promessa está respaldada em Atos 16:31. 

“Confesse Jesus como seu salvador e será salvo você e sua casa” 

Acontece que basta aplicar uma pequena hermenêutica nesse versículo para vermos do que realmente se trata essa declaração de Paulo. Vamos ao contexto.

“Por volta da meia-noite, Paulo e Silas estavam orando e cantando hinos a Deus; os outros presos os ouviam. 
De repente, houve um terremoto tão violento que os alicerces da prisão foram abalados. Imediatamente todas as portas se abriram, e as correntes de todos se soltaram. 
O carcereiro acordou e, vendo abertas as portas da prisão, desembainhou sua espada para se matar, porque pensava que os presos tivessem fugido. 
Mas Paulo gritou: "Não faça isso! Estamos todos aqui! " 
O carcereiro pediu luz, entrou correndo e, trêmulo, prostrou-se diante de Paulo e Silas. 
Então levou-os para fora e perguntou: "Senhores, que devo fazer para ser salvo? " 
Eles responderam: "Creia no Senhor Jesus, e serão salvos, você e os de sua casa". 
E pregaram a palavra de Deus, a ele e a todos os de sua casa. 
Naquela mesma hora da noite o carcereiro lavou as feridas deles; em seguida, ele e todos os seus foram batizados. Então os levou para a sua casa, serviu-lhes uma refeição e com todos os de sua casa alegrou-se muito por haver crido em Deus.” 

A afirmativa de Paulo foi exclusiva para aquela ocasião dentro daquele contexto de situação. Paulo discernido pelo Espírito viu na comoção e temor daquele homem uma oportunidade de salvá-lo e toda a sua família. O convencimento de Deus estava sobre aquele lugar. Um fantástico evento metafísico acabara de ocorrer e corroborado pelo testemunho honesto de Paulo e Silas em não fugirem da prisão. 

Porém, na continuidade do texto vemos que não bastou o carcereiro confessar Jesus para que sua família fosse salva como em um passe de mágica. Eles precisaram ouvir a mensagem do Evangelho e crerem. 

“Então os levou para a sua casa, serviu-lhes uma refeição e com todos os de sua casa alegrou-se muito por haver crido em Deus.” Atos 16:34

A salvação é individual, por isso há a necessidade de crença de cada ser individualmente. O fato de você crer em Jesus não é garantia que sua mãe irá ser salva, ou seu pai, ou sua mulher ou esposo. Se eles não crerem serão condenados. 

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” João 3:18

“Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado.” Marcos 16:16

Deus não prometeu salvar a sua família.Se você se rendeu à Ele, a promessa é salvar você! Se seus parentes crerem também serão salvos. Salvação é individual. 

A bíblia não se contra opõe. Veja o quê o próprio Cristo afirmou sobre o arrebatamento. 

“Eu lhes digo: naquela noite duas pessoas estarão numa cama; uma será tirada e a outra deixada” 
Lucas 17:34 

Marido e mulher dormindo juntos, um fica e o outro sobe. 

E veja também a citação de Paulo: 

“Você, mulher, como sabe se salvará seu marido? Ou você, marido, como sabe se salvará sua mulher?” 1º Coríntios 7:16 

Me preocupo com a quantidade de pessoas oprimidas por conta desse equivoco hermenêutico. Irmãos e irmãs frustradas com Deus por ele não cumprir a suposta “promessa” de salvar suas casas. Muitos se decepcionaram tanto com Deus após perderem um ente querido sem Cristo que desistiram do caminho. 

Meu apelo para você é: Volte para estrada! Agarre-se a verdadeira promessa que Ele fez a você! 

“Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora”. João 6:37

Concluo afirmando que creio absolutamente no poder da intercessão, e não porque ouvi em um jargão, mas porque as Escrituras afirmam tal coisa. Sola Scriptura! 

Acredito que a oração de um membro convertido possa fazer grandes coisas dentro de uma família, inclusive quebrar muralhas ao redor de corações endurecidos. 

Mas como não sou monergista, creio que dependerá do desejo do restante da casa de se render a Cristo. E mesmo que eu fosse um monergista, como saber se Deus incluiu minha família toda no Rotary Clube dos céus? (Desculpe o sarcasmo maninhos calvinistas, não resisti! Risos) 

Ande pelo caminho confiante no poder da oração intercessória para salvar a sua casa, mas não “cobre” de Deus promessas que Ele nunca te fez. Além do mais, Ele não te deve nada (leia mais aqui)! 

Abraços fraternos.

terça-feira, 29 de março de 2011

Deus Não Te Deve Nada!

Por Marcello Comuna
A teologia da prosperidade com sua doutrina triunfalista, cada dia mais tem ofuscado as verdades eternas das mentes dos cristãos contemporâneos. É inegável o crescimento desse câncer, realizando assim, o cumprimento das profecias sobre a apostasia dos últimos dias. 

Uma característica marcante dessa teologia é a implantação na mente dos seus seguidores que Deus lhes deva alguma coisa. A famosa lei da semeadura, você semeia, Deus é obrigado a te dar a colheita. Nada mais herético! 

Deus não te deve nada!

"Qual de vocês que, tendo um servo que esteja arando ou cuidando das ovelhas, lhe dirá, quando ele chegar do campo: ‘Venha agora e sente-se para comer’? Pelo contrário, não dirá: ‘Prepare o meu jantar, apronte-se e sirva-me enquanto como e bebo; depois disso você pode comer e beber’? 
Será que ele agradecerá ao servo por ter feito o que lhe foi ordenado? 
Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’ ". Lucas 17:7-10 

O próprio Jesus proferiu essas palavras para os seus apóstolos, fazendo uma alusão entre nós e o Pai. Deus já fez muito mais do que Ele nem tinha a obrigação de fazer.

Há uma ambição coletiva que permeia nossas mentes, para nós, enquanto habitarmos nesse corpo corruptível, será sempre impossível compreender o amor incondicional de Deus porque somos totalmente condicionais. Por isso o ser humano tem tanta facilidade de aderir qualquer teologia que afirme que Deus nos deva alguma. Estamos condicionados a dar para receber. E foi analisando sobre o comportamento dos adeptos da teologia da prosperidade que peguei meu espelhinho (Escrituras), e coloquei diante do meu fucinho para ver se enxergava em mim aquilo que critico neles. Achei. 

Observei ao redor e vi que esse pensamento mesquinho e ingrato não é privilégio dos triunfalistas, nós também, que enxergamos esses defeitos neles, cometemos o mesmo erro. 

“Por que você repara no cisco que está no olho do seu irmão e não se dá conta da viga que está em seu próprio olho? Lucas 6:41 

Nos não cobramos bênçãos materiais por semear rios de dinheiro em campanhas de vitórias, porém, achamos que Deus nos deva alguma coisa pelo nosso devocional, pela nossa piedade, pelo nosso amor a obra, pelo nosso zelo com a verdade, pela nossa apologética, pela nossa santidade, pela nossa luta pelo bem. Como somos terrivelmente hipócritas! 

Deus não nos deve nada! 

“Assim também vocês, quando tiverem feito tudo o que lhes for ordenado, devem dizer: ‘Somos servos inúteis; apenas cumprimos o nosso dever’”. 

Pesado, né? Eu sei que é! Mas esquadrinhe no fundo de sua alma e responda para você mesmo se não há esse senso de cobrança com o Pai. Por isso que o Senhor nos alerta o qual corrupto é o nosso coração. 

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” Jeremias 17:9

A primeira pergunta que um homem, um cristão piedoso e fiel faz quando uma tragédia o sucede é: “Por que Senhor, eu lhe sirvo com tanto zelo?” A cobrança sai por osmose. 

Imagine a seguinte cena. Estamos na minha casa, eu estou lhe recebendo para um jantar com minha família. Você é um ateu, e eu estou investindo para que você se salve. Minha esposa e minha filha estão conosco sentadas à mesa. No meio da refeição, bandidos armados invadem a casa e nos tomam por reféns. Vizinhos que viram os criminosos entrando chamam a polícia. Minutos depois a casa está cercada e o terror instalado. Os marginais alucinados entram em negociações com a polícia, fazem exigências, mas os policias não atendem. Revoltados, resolvem matar alguém para mostrar que estão falando sério e não tem nada a perder. Eles olham para você e decidem te matar. Eu intervenho. Inutilmente. Eles querem matar você.

Você pede clemência, desesperadamente alega que tem uma família, filhos. Em um momento de desespero eu me ofereço em seu lugar pois sei que em Cristo estou salvo, mas diabolicamente os bandidos propõem: Ou ele ou sua filha! É nesse instante, que eu, tendo certeza da salvação dela pela inocência dos seus cinco aninhos, e de sua condenação eterna por estar sem Cristo e longe dos seus mandamentos, que eu tomo a decisão mais difícil da minha vida. Entrego minha filha no seu lugar para que você tenha mais uma chance, para que você não pereça eternamente no inferno. A arma dispara e o impacto da bala arremessa o corpo dela sobre você, ela morre nos seus braços e você tem o sangue dela em suas mãos. 

Agora responda sinceramente. Você, enquanto vida tivesse, teria coragem de me cobrar mais alguma coisa na vida? Por mais que você me honrasse com dinheiro, com homenagens, com subserviência, com obediência e louvores. Você teria coragem de me pedir algo mais? 

Então por que você ainda acha que Deus te deve alguma coisa? 

Você não teria por mim um eterno sentimento de gratidão impagável? Toda vez que você pegasse seu filho nos braços, você não se lembraria que uma inocente morreu para que vocês tivessem mais uma chance de permanecerem juntos? 

Se você ainda acha que Deus te deve alguma coisa, você não entendeu nada sobre o sacrifício de Jesus Cristo. 

Agora vá ter um tempo com Deus e peça perdão por sua miséria. 

Que Aquele não te deve nada te abençoe pela graça.