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quarta-feira, 18 de abril de 2012

Deus é de Esquerda ou de Direita?


Por Hermes C. Fernandes


Definitivamente, não existem ideologias perfeitas. Todas têm suas virtudes e vicissitudes. Cada qual tem seu altar e seu sacrifício. O comunismo, por exemplo, sacrifica a liberdade de seus cidadãos no altar da justiça social. O capitalismo faz o inverso, sacrifica a justiça social no altar da liberdade.

Ora, se não há ideologias perfeitas, o que nos dá o direito de sacralizá-las? Não podemos diluir a mensagem do Evangelho, transformando-o num discurso ideológico. Ainda que cada uma delas tenha um ponto ou mais que coincidam com a proposta do Evangelho. Diluir uma gota de Evangelho num balde de ideologia acaba por corromper completamente seu conteúdo e subversividade originais.

Deus não é de esquerda, nem de direita. Se o Evangelho promove a justiça social, também não prescinde da liberdade individual.

Quando sacralizamos uma ideologia, geralmente, demonizamos as demais. Foi o que aconteceu com o comunismo a partir do golpe militar em 1964. Pregadores fizeram vista grossa às atrocidades cometidas pelo governo militar, enquanto identificavam o comunismo com o próprio diabo. Houve quem enxergasse um viés político-ideológico até na passagem em que Jesus descreve o juízo final, quando a humanidade será dividida em dois grupos. Os da esquerda, destinados à condenação, seriam os comunistas, enquanto que os da direita, destinados à vida eterna, seriam as nações que adotassem a ideologia importada dos EUA, a saber, o capitalismo. Igualmente, dos dois ladrões crucificados com Jesus, somente o da direita foi salvo.

Qualquer pregador que ousasse questionar a ditadura militar, corria o risco de ser preso, acusado de subversão. Há quem diga que muitos desapareceram...

Não devemos nutrir uma visão romântica de nenhuma ideologia. Em nome de todas elas, atrocidades foram cometidas.

Vamos focar as duas principais ideologias vigentes neste novo século, a saber, o comunismo (que resiste bravamente na China e em Cuba), e o capitalismo.

O comunismo, em sua essência, defende que os bens de uma sociedade deveriam ser partilhados igualmente entre todos os seus cidadãos. Isso parece coincidir com a proposta do Evangelho. Eu disse, parece. Teria o Estado o direito de apropriar-se de bens privados?

Temos um exemplo disso na Bíblia, quando um rei malévolo desejou acampar a vinha de um cidadão de Israel. Acabe conspirou contra Nabote, a fim de tomar-lhe a propriedade. É óbvio que Deus jamais apoiaria tal atitude. O mandamento que diz que não devemos cobiçar o bem alheio, bem como o mandamento que nos proíbe o roubo, são uma indicação de que a vontade de Deus é que a propriedade privada seja respeitada. Também encontramos nas Escrituras leis que regulam a hereditariedade de bens (Pv.13:22).

Entretanto a Bíblia incentiva a partilha de bens, desde que seja voluntária, fruto de uma consciência grata e generosa. Foi isso que aconteceu na igreja primitiva. O que vemos ali está longe de ser uma amostra grátis do que seria uma sociedade comunista. Em vez disso, trata-se de uma demonstração de como funciona uma sociedade erigida ao redor do Trono da Graça. Trata-se, portanto, de reinismo, em vez de comunismo. A partilha jamais foi compulsória, mas provinha do fato de todos terem um só coração (At.4:32). Não havia imposição por parte dos apóstolos. Tudo era voluntário. Portanto, diferente do que propõe regimes comunistas, a partilha dos bens deve ser voluntária, tanto quanto o celibato, equivocadamente exigido pelo Vaticano aos seus sacerdotes.

Chamamos “reinismo” a ideologia que deve reger a sociedade construída a partir de uma cosmovisão do reino de Deus. Reinismo, portanto, deveria ser o modus vivendis de toda comunidade legitimamente cristã.

De acordo com Paulo, o cidadão do Reino deve trabalhar, “fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade” (Ef. 4:28). Bem diferente da proposta do capitalismo que é fazer do trabalho um meio para adquirir e concentrar bens, no reinismo somos instados a trabalhar para ter o que repartir. Assim como o comunismo, o reinismo também valoriza o trabalho muito mais que o capital. Porém, cada qual deve desfrutar do resultado de seu próprio trabalho, e não usufruir ociosamente do trabalha alheio. Somente aqueles que estiverem impossibilitados de trabalhar, ou que houver sido vítimas de alguma injustiça, devem desfrutar da partilha comunitária. “Se alguém não quiser trabalhar, que também não coma”, sentencia Paulo (2 Ts.3:10-12).

Um Estado regido pela ideologia comunista tende a ser totalitário, intrometendo-se em questões que deveriam ser mantidas na esfera privada.

Qual seria o papel do Estado de acordo com a Bíblia?

“Toda alma esteja sujeita às autoridades superiores; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as que existem foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal. Pelo que é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa da ira, mas também por causa da consciência. Por esta razão também pagais tributo; porque são ministros de Deus, para atenderem a isso mesmo.” Romanos 13:1-6

De acordo com este texto, o Estado recebeu de Deus autoridade para punir os malfeitores, ao mesmo tempo em que incentiva toda e qualquer boa iniciativa. Leis civis são implementadas para regulamentar a vida social. Quando estas leis são transgredidas, o Estado tem o direito de punir os transgressores. Mas não pára aí. O Estado também tem a obrigação de “louvar” quem faz o bem, o que pode ser interpretado como incentivar qualquer iniciativa que vise o bem comum. Isso pode incluir incentivos fiscais, como aqueles dados à cultura. Se o Estado extrapola sua esfera de atuação, seus cidadãos têm o direito de resisti-lo, denunciando-o e buscando sua reforma. O Estado deve servir como um facilitador de boas obras, oferecendo à sua população meios para tal. Desde infraestrutura para escoamento da produção, passando por incentivos fiscais, segurança, educação, saúde, saneamento básico, etc.

Já no Liberalismo/capitalismo, valoriza-se o capital em detrimento do trabalho. O consumo é incentivado a todo custo, a fim de manter a máquina a pleno vapor. Trata-se, portanto, de um sistema retroalimentado. O consumo estimula a produção, que por sua vez, promove a abertura de postos de trabalho. Segundo seus defensores, o resultado desta equação é a prosperidade da sociedade como um todo. Tudo parece muito bonito, até que nos deparamos com as palavras de Jesus: “Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui.” (Lc. 12:15).

Como, então, poderíamos endossar o espírito consumista que justifica a ideologia capitalista? Um sistema erigido sobre esta ideologia só poderia está fadado a ruir.

No capitalismo a concentração de renda também é valorizada, em franca dissonância com os princípios da Palavra de Deus.

“Ai dos que ajuntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo, até que não haja mais lugar, de modo que habitem sós no meio da terra!”
Isaías 5:8

A justiça do reino de Deus nos impele à distribuição de renda, e não à sua concentração. Cartéis, monopólios, oligarquias, são alguns dos efeitos colaterais deste sistema capaz de corromper os valores essenciais da vida em nome do ganho.
O capitalismo também promove a exploração do trabalhador.

Apesar do discurso afirmar que todos saem ganhando, não é isso que constatamos. Quem lucra, nunca se dá por satisfeito. Os detentores dos meios de produção, bem como os banqueiros e donos dos veículos de comunicação querem sempre mais, e mais, e mais.. E ao mesmo tempo, reduzir gastos, o que pode significar redução de salários, substituição de mão-de-obra humana por máquinas, etc. Investe-se em publicidade e lobby político, ao passo que reduz-se o gasto com aqueles que mantém a máquina, os empregados. Tudo em nome da eficiência e da otimização dos lucros. Não é à toa que grandes empresas de países ricos têm se mudado para países do terceiro mundo, por saberem que lá pagarão salários menores a seus empregados. O preço pago a médio e longo prazo será incalculável. E já começou a ser pago. Vide o altíssimo índice de desemprego nesses países.

Se por um lado o capitalismo promove competitividade, fazendo com que serviços e bens de consumo sejam aprimorados, por outro lado, atravancam o desenvolvimento. Dificilmente empresas petrolíferas apoiarão iniciativas que desenvolvam veículos movidos à água, por exemplo. A menos que descubram uma maneira de tirar proveito disso. Muita coisa já foi inventada, patenteada, porém, jamais chegou às mãos do consumidor, pois ameaçam produtos já consagrados. Eu mesmo conheci um professor universitário que já nos anos 80 havia desenvolvido um motor à água. Resultado: foi demitido e teve seu projeto abortado pela Universidade, que por sua vez recebeu uma enorme soma em doação da parte de certa empresa petrolífera. No sistema capitalista, tudo é movido pela ânsia do lucro.

Governos pautados nesta ideologia estão construindo sobre areia movediça. Bem fariam em dar ouvidos à advertência bíblica: “Ai daquele que edifica a sua casa com iniquidade, e os seus aposentos com injustiça; que se serve do trabalho do seu próximo sem remunerá-lo, e não lhe dá o salário.” Jeremias 22:13

Tragicamente, esta ideologia demoníaca tem encontrado amparo no seio da igreja evangélica. A teologia da prosperidade é sua filha caçula. Sua mensagem, resultado da mistura de um gota de Evangelho com uma caixa d’água de discurso ideológico, tem sido responsável por tornar a igreja numa importante engrenagem do sistema, incentivando a alienação.

Todas as ideologias e seus respectivos sistemas estão fadados a desaparecer (1 Co.15:24-25; Hb.12:27-28). Por isso, perde tempo quem tenta conciliar a verdade do Evangelho com qualquer uma delas. Bom seria se déssemos ouvidos a Paulo, analisando tudo e retendo somente o que for bom. Nada de pacotes fechados!

Assim como não podemos sacralizar qualquer que seja a ideologia, também não podemos demonizá-la. Dos dois lados da trincheira ideológica há gente de bem, lutando pela justiça e pela verdade. Quem gosta de rotular os outros de maneira tendenciosa e preconceituosa está à serviço da discórdia, disseminando o ódio entre irmãos. Posso condenar uma linha de pensamento, mas isso não me dá o direito de sentenciar ou fomentar suspeitas sobre pessoas que pensem diferente de mim.

Cristãos que cerraram fileiras com a ala direita certamente o fizeram por identificarem naquela ideologia alguns elementos comuns ao Evangelho. O mesmo podemos falar dos que cerraram fileiras com a esquerda. Ambas as ideologias têm coisas em comum com a proposta do Evangelho, como também têm disparates que não podem ser ignorados. Há santos e pecadores de ambos os lados. Não sejamos tão severos... Nem tão ingênuos...

Em vez de lutarmos em nome de uma ou de outra, digladiando-nos uns com os outros, que tal lutarmos pela liberdade e pela justiça preconizadas na mensagem do Reino de Deus?

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sociedade Cristã X Mentalidade Cristã


Por Fabrício Cunha

Quando pequeno, lembro-me bem de um adesivo colado no vidro traseiro do Kadet preto de nossa família. Dizia o seguinte: “O Brasil é do Senhor Jesus. Povo de Deus, declare isso!” 

Orávamos por líderes evangélicos envolvidos em posições estratégicas na política de forma que nos beneficiassem pelo fato de estarem no poder. Nos beneficiassem não, beneficiassem a fé cristã evangélica e os seus propósitos. 

Lembro-me perfeitamente de orarmos contra a eleição de um presidente de esquerda e, depois, contra a do seu alternativo, o de direita, por ter-se declarado ateu. Cheguei a ir em reuniões onde dois candidatos evangélicos, um ao estado e outro à federação, faziam campanha para um conhecido ex-político acusado de vários crimes de corrupção pelo fato de que estavam lendo a Bíblia com ele. 

Enfim... Desde a época da formação do povo de Israel ou, de forma mais patente, da época de Jesus Cristo, nossa expectativa e propósitos se baseiam mais na formação de uma sociedade cristã do que de uma mentalidade cristã para a sociedade como um todo. 

Quem quer formar uma sociedade cristã, tem um projeto de poder. Queremos conquistar espaços estratégicos e pessoas estratégicas de forma que, ocupando tais posições, tenhamos os nossos interesses garantidos. Já vi, por exemplo, chefes evangélicos promoverem um funcionário só pelo fato de compartilharem da mesma fé e não por mérito. E quem de nós nunca ouviu a afirmação política: irmão vota em irmão”?! Mesmo que tais interesses sejam a priori bons, vivemos numa sociedade múltipla, formada por todo tipo de gente que precisa ter seus direitos e liberdade resguardadas assim como nós mesmos queremos que nossos direitos e liberdade o sejam. Assim, um projeto de tomada de poder não parece ser a melhor expressão que o corpo de Cristo pode tomar aqui na terra. 

O projeto de Jesus de Nazaré, nada tem a ver com tomada de poder mas com a formação de uma nova mentalidade baseada numa outra cosmovisão, que têm o amor como fonte de motivação e propósito final. É por isso que em várias de suas palavras, Ele inverte as lógicas do pensamento corrente, propondo uma nova forma de ver, pensar e agir. Vemos isso, por exemplo, em todo Sermão do Monte onde os protagonistas são os fracos e irrelevantes; em sua conversa com a Samaritana, onde rompe todos os paradigmas sociais para declarar-se Messias a uma mulher; no “lava pés” ao quebrar a hierarquia e colocar-se de joelhos para servir aos discípulos; em Mt 25. 35 onde estabelece a solidariedade como caminho para a glória; em sua declaração messiânica em Lc 4. 18-19 onde, de tantos textos gloriosos sobre o Messias, escolhe um que enfatiza a sua identidade mais simples. 

O projeto de Jesus não é de poder. Aliás, Filipenses 2. 5-11 nos diz claramente que seu projeto é abrir mão do poder, em vistas do amor. E Paulo começa esse texto dizendo: “seja a atitude de vocês a mesma de Cristo.” 

Portanto, estamos comprometidos não em tomar a sociedade de assalto, implementando nela um projeto cristão “guela abaixo, mas em servir a sociedade, influenciando-a por meio de uma mentalidade que é contra-cultural tantas vezes, rejeitada outras tantas, mas que ganha legalidade não pelo poder que requer, mas pela humildade constrangedora e inspiradora de quem se ajoelha, toma a toalha e a bacia e lava os pés de toda gente, sem querer nada em troca. 

Assim, quando perguntados porque somos, pensamos e agimos dessa forma, teremos legitimidade e espaço de fato para “darmos a razão de nossa fé”. Então essa revolução de amor ganhará mais e mais proporção, fazendo do Brasil não o país do Senhor Jesus, mas um país onde se vê mais e mais a face de Cristo no meio do povo. 


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Um Chamado ao Inconformismo.



“E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. 
Romanos 12:2


Por Marcello Comuna
Uma igreja relevante é uma igreja inconformada com o curso desse mundo. Um cristão relevante idem.
A prescrição é clara: Não se acomode, não aceite, não se conforme e não se contamine com o caráter  distorcido do presente século.

As palavras de Paulo nos lança direto para estrada apertada da responsabilidade de sermos sal e luz do mundo. Subverte nossa consciência a ir de encontro com o fracasso de um sistema competente em gerar riquezas, mas antagônico em distribuí-las. Romanos 12.2 coloca o dedo em riste diante a nossa natureza preguiçosa e covarde que idolatra toda zona de conforto.

Alguns entendem que a expressão “não se conformar com esse mundo” refere-se apenas a prática de pecados que estão na moda. Contudo, esse trecho das Escrituras nos lança além.
Um cristão que limita sua inconformidade a abster-se de certas práticas imorais está muito aquém de entender o quê Paulo quis dizer.

Antes de sermos cristãos somos cidadãos. Porém, há um senso comum da incapacidade de reação do nosso povo a opressão imposta pelo poder público. O rolo compressor do descaso com a educação e alienação cultural imobilizou a massa cidadã comum que, simplesmente não sabem fazer valer seus direitos, não sabem cobrar seus representantes. Contanto que não falte futebol, carnaval e cerveja, o pão e circo contemporâneo, a nossa revolta não passa dos nossos lábios demagogos.

“...transformai-vos pela renovação da vossa mente...”

Cristo não faz sua obra pela metade. A renovação de mente proposta por Paulo abrange mais que um padrão moral, abrange um padrão de justiça. É incompleta uma renovação mental que te leva apenas a abandonar os sete pecados capitais. É preciso ir além.

Temos a honrosa e nobre missão de fazer apologia do Evangelho do Reino e da Salvação entre os homens. Uma renovação de mente passa por uma consciência cidadã de inconformismo social com as injustiças do sistema vigente.

Como citado anteriormente, o povo foi furtado na educação. Hoje temos essa letargia como conseqüência. E a juventude presente segue alienada, nos dando um vislumbre caótico do que será nosso futuro. Os seguidores de Cristo foram chamados para dar gosto e iluminar o mundo em todas as esferas. As mazelas com educação, saúde e segurança pública também são responsabilidades da igreja. Relevância social agora!

Porém, deixo claro e afirmo pela história, envolver-se politicamente não é o caminho que a igreja precisa traçar para alcançar a relevância social. A igreja deve exercer seu poder como cidadã, uma cidadã de quase  151 milhões de pessoas (católicos e protestantes). Como instituição, a igreja tem isenção de impostos para fazer obra social. Se você é líder de uma igreja e acha que não é dever da sua instituição envolver socialmente com as demandas da sociedade, então seja ético, abra mão desse incentivo governamental. Pague imposto! 

Contra a PL122 a igreja mostrou sua força como cidadã, porém, permanece apática diante de outras demandas importantes da sociedade, como a luta dos bombeiros e dos professores. Heróis que sem dúvidas merecem nosso apoio. A igreja permanece sentada atrás da mesa com a sua covardia na mão. Uma igreja irrelevante socialmente é uma igreja conformada com esse mundo. Nossa zona de conforto é uma zona de pecado. Você peca quando se omiti!


“Pois tive fome, e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
era forasteiro, e não me recolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo e preso, e não me visitastes”. Mateus 25:42-43

Precisamos acolher os mais necessitados individualmente e também no coletivo de forma social.


“Ao que ele respondeu: Digo-vos que, se estes se calarem, as pedras clamarão”. Lucas 19.40

Para nossa vergonha, a igreja tem que colocar o saco dentro da viola diante das obras dos kardecistas, por exemplo. E antes que você refute a afirmação alegando que a motivação deles é equivocada, lembro-te que fé sem obras é morta, logo, sua fé sem movimentação é hipócrita e sem vida. A igreja precisa se arrepender da sua demagogia e hipocrisia!

As pedras já estão clamando.

Minha oração é para que a igreja realmente seja inconformada, renove sua mente e meta a mão na massa não somente quando se sente ameaçada em sua zona de conforto.

Deus abençoe.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Dúvidas São Conseqüências do Pensar




Por Marcello Comuna
Não me envergonho de mudar de idéia porque não me envergonho de pensar, já diria Blaise Pascal. 

Muitas certezas de outrora, não são certezas do presente. Compartilho uma delas.

Não  tenho mais tanta certeza sobre o livre arbítrio ou sobre a predestinação eterna. Ao meu ver, as Escrituras corroboram ao mesmo tempo as duas linhas de pensamento e, calvinistas e arminianos se digladiam  para que suas verdades sejam estabelecidas. Eu, nesse momento, estou mais inclinado a crer que livre arbítrio e predestinação se encontram em algum ponto que nossa mente limitada não consegue enxergar. Já li excelentes defesas de calvinistas e arminianos, contudo, nós, humanos, sempre estamos competindo e percebo sempre muito mais disputas do que; humildade, paciência e amor nas explanações de ambas as partes. Contudo, sei que haverá o grande dia em que não veremos mais em partes, e sim, face a face. Creio que nesse dia calvinistas e arminianos exclamarão um grande: Ahhhhh! Então era isso! Porque tenho certeza que, tanto calvinistas como arminianos, tem suas dúvidas sobre alguns pontos de sua própria doutrina. 

Ainda falta, e muito, o senso de serviço que Paulo nos recomenda na carta aos Filipenses 2.3, em que diz: "Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo".

Veja como esse senso de serviço eliminaria quase todos os problemas de relacionamento da humanidade, em qualquer esfera, em qualquer grupo.

Porém, esse ensinamento Paulino vai de encontro com o inconsciente coletivo alimentado pelo sistema capitalista que vivemos. Alguns acusam o comunismo de ter patrocinado atrocidades e exterminado mais de cem milhões de pessoas ao redor do mundo. Porém, o capitalismo matou centenas de milhares de pessoas e continuara matando, porque esse sistema se alimenta e alimenta do que há de pior no ser humano. O egoísmo e a ganância. As guerras precisam acontecer para o bem financeiro da indústria bélica, e a indústria bélica financia o sistema. Ainda haverá muitos latrocínios nos cruzamentos da urbanóide, muitos chefes de família, como meu pai, morrerão reagindo assaltos defendendo os seus bens, porque somos induzidos a amar mais as coisas do que as pessoas, e às vezes, até mais que a nós mesmos.

O capitalismo pariu o consumismo, o individualismo e o egocentrismo. E essa trindade satânica matou e continuara matando muito mais que qualquer outro modelo. 

Contudo, não pretendo fazer defesa de nenhum sistema. Apenas não tenho uma crítica amedrontada no pior estilo Regina Duarte na campanha presidencial de 2002, nem tão pouco a paixão cega pela revolução socialista que embalou minha adolescência. Hoje, minha bandeira é o sistema do Reino, que será oficializado em breve pelo maior Revolucionário Subversivo, Original, Justo e Amável que já existiu, Jesus Cristo de Nazaré.

Como um adepto direto dessa revolução do amor ensinada pelo meu Comandante, atuo no flanco da subversão reinista e posso observar que, o paradigma da religião é o maior entrave na missão da grande comissão de Cristo. O pecado derrubou o homem, a religião o impede de se levantar.

Há séculos foi erguida uma muralha de religiosidade que separa muitas pessoas de Deus. Uma muralha que foi construída por mãos humanas. Existem chaves quebradas por homens dentro das  fechaduras que abrem as portas que levam ao encontro genuíno com Cristo e seus valores. Homens que nos tempos de Jesus tinham o título de interpretes da lei. Sobre esses, o Messias afirmou: "Não entram e não deixam ninguém entrar!" (Mateus 23.13)
Cristo veio anunciar um Reino de justiça e amor, não veio fundar uma religião. Sei que para muitos é difícil demais lidar com essa afirmativa, pois a tradição da igreja tem mais peso que a liberdade de Cristo. A liberdade assusta quem sempre viveu sob rédeas. 

Tudo passará, inclusive o formato de igreja institucional que temos hoje, o que não passará serão as palavras do Mestre. Seus valores, seus ensinos. E a igreja subirá como diz a profecia, mas não no formato empresarial que funciona hoje em dia.

Seja você uma igreja móvel, seja você um divulgador do Evangelho do Reino. Quando suas atitudes se tornarem um outdoor de amor e justiça, será mais fácil compartilhar o Evangelho da Salvação.